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Como digitar mais depressa no teclado
Ganhar velocidade sem perder precisão: a linha de descanso do ABNT2, os acentos, os patamares e o que pontua mesmo num concurso.
By the Typetera team · Updated
A velocidade vem da precisão, e não ao contrário
Quase toda a gente começa pelo lado errado: tenta mexer os dedos mais depressa e aceita alguns erros. O problema é que corrigir custa mais do que escrever. Cada erro detectado obriga a parar, recuar, apagar e voltar a digitar, e esse ciclo consome mais tempo do que se ganhou. Um erro visto logo custa cerca de cinco toques. Um erro visto cinco palavras depois custa tudo o que foi escrito desde então. E numa prova de digitação de concurso custa 0,05 de ponto de uma escala até dez, o que faz de vinte erros um ponto inteiro. A consequência prática é simples: digite ao ritmo mais alto em que quase nunca erra, e deixe esse ritmo subir sozinho. Se a precisão descer abaixo dos 97 por cento numa prova cronometrada, não está a digitar depressa: está a fabricar trabalho para daqui a dez segundos.
Aprenda a linha de descanso do ABNT2, não a americana
A linha central de um teclado ABNT2 é a s d f g h j k l ç. Os indicadores pousam no F e no J, que têm relevo para os encontrar sem olhar, e os dedos voltam sempre ali. A diferença para o teclado americano está no mindinho direito, e neste caso é uma vantagem: onde o inglês põe um ponto e vírgula, o ABNT2 põe o ç, uma letra corrente que fica assim ao alcance de um toque simples. Um curso traduzido do inglês nunca treina essa tecla e deixa-o a procurá-la meses depois. O que não é vantagem são os acentos, que ficam fora da linha de descanso e passam por tecla morta. Vale a pena separar as duas coisas logo nas primeiras sessões.
Os acentos não se deixam para depois
Boa parte das palavras portuguesas leva acento ou til, e numa transcrição cada um que falte é um caractere divergente. Não se podem adiar. O acento escreve-se com tecla morta: carrega na tecla do acento, não aparece nada, e a vogal seguinte sai acentuada. É um gesto de dois tempos que o resto do teclado não tem, e o erro típico não é esquecer o acento mas carregar na vogal antes de o acento fechar, com o que saem dois caracteres separados. O til funciona igual e aparece em palavras muito comuns: não, então, mão, coração. Treine as sequências isoladas antes de as encontrar num texto. Vinte repetições de á, é, í, ó, ú e depois de ã e õ resolvem numa semana o que de outro modo se arrasta durante meses.
Deixe de olhar para o teclado
Olhar para as teclas custa dois movimentos dos olhos por palavra e impede sobretudo que as mãos memorizem as distâncias. Enquanto os olhos resolvem o problema, os dedos não aprendem a resolvê-lo. A transição é incómoda e curta: entre uma e três semanas de sessões curtas. Baixe a velocidade para metade, aceite que ao princípio corre pior do que antes, e não olhe nem quando errar. Se precisar de ajuda, tape as mãos com um pano em vez de confiar na força de vontade. A prática adaptativa só abre teclas novas quando as anteriores saem sem hesitação, que é exactamente a condição para não voltar a olhar.
Os patamares são normais e têm forma
Quase toda a gente encalha nos mesmos sítios. O primeiro chega por volta das 40 palavras por minuto, uns 200 toques, quando já não olha para o teclado mas ainda pensa letra a letra. Supera-se quando sílabas inteiras passam a ser um só gesto. O segundo aparece perto das 60 palavras por minuto, uns 300 toques, e separa quem digita bem de quem digita depressa. Aqui já não serve praticar mais: serve praticar o que concretamente falha, normalmente um punhado de transições e a mão não dominante. O terceiro, acima das 80, quase ninguém precisa dele. Nenhuma prova de concurso pede essa velocidade, e persegui-la costuma custar precisão.
Exercícios que servem de alguma coisa
Repetir textos ao acaso melhora pouco, porque reparte o esforço por igual entre o que já sabe e o que não sabe. O que funciona é dirigido. Trabalhe as transições que falha, não as letras soltas. Os erros quase nunca estão numa tecla mas na passagem de uma para outra, e em português as habituais envolvem os acentos e a mão direita. Alterne sessões de precisão, em que procura os cem por cento sem olhar para o relógio, com sessões de ritmo, em que procura uma velocidade constante sem ligar à marca. Quinze minutos por dia rendem mais do que duas horas ao domingo, porque a memória motora consolida-se entre sessões e não dentro de uma.
Descanse a sério
O cansaço aparece antes na precisão do que na velocidade, por isso o sinal de parar é começarem a sair erros estranhos, não sentir-se lento. A partir daí cada minuto extra ensina os dedos a errar. Sessões de quinze ou vinte minutos com pausas reais entre elas, e as mãos fora do teclado durante a pausa. Se sentir tensão nos pulsos ou nos antebraços, pare de vez: uma lesão por uso excessivo custa semanas e não há concurso que compense isso.
As condições da prova mudam o número
O mesmo digitador pode ter dez palavras por minuto de diferença consoante a medição. Uma prova de 30 segundos premeia um arranque que não aguentaria onze minutos. Um texto com muitas maiúsculas, algarismos ou sinais é mais lento do que prosa corrida. E um teclado diferente do seu custa uns dias. Meça-se por isso nas condições do edital a que se apresenta: a mesma duração, um texto de dificuldade parecida e, se puder, o mesmo tipo de teclado. Faça três ou quatro tentativas e fique com a do meio, não com a melhor.
Não há atalhos, e os que se vendem como tal não o são
Um teclado mecânico é mais agradável e pode reduzir o cansaço em sessões longas, mas não aumenta a velocidade por si. Mudar para uma disposição alternativa tem defensores, mas implica recomeçar e deixa-o sem o ç e os acentos onde qualquer computador que não seja o seu os espera, incluindo o da prova. O único que demonstrou funcionar é o de sempre: técnica correcta, prática dirigida às falhas concretas, e constância. É aborrecido e é o que há.
Se está a preparar um concurso, meça o que vão pontuar
A maioria dos sites dá-lhe um número de palavras por minuto. A prova prática de digitação não pontua velocidade nenhuma: dá um texto fixo de cerca de 1.800 caracteres, onze minutos, e desconta 0,05 por cada caractere divergente numa escala até dez. Feita a conta ao contrário, esse texto nesse tempo dá cerca de 33 palavras por minuto, um ritmo que quase toda a gente que digita no trabalho já tem. A prova decide-se toda na precisão, e o detalhe está em como a prova de digitação é corrigida. Confirme sempre no edital do concurso a que se apresenta, incluindo a nota mínima, que o documento de regras da banca não fixa.
FAQ
Frequently asked questions
Quanto tempo leva a digitar mais depressa?
+Com quinze minutos por dia nota-se melhoria em duas ou três semanas e uma mudança clara em dois ou três meses. Passar de digitar a dois dedos para umas 50 palavras por minuto é relativamente rápido; acima das 60 os avanços são bem mais lentos.
O teclado ABNT2 é pior para digitar depressa?
+Pelo contrário, num ponto: o ç tem tecla própria na linha de descanso, onde o teclado inglês põe um sinal raro. O que exige treino próprio são os acentos e o til, que passam por tecla morta e nenhum curso traduzido do inglês trabalha.
Devo procurar velocidade ou precisão primeiro?
+Precisão. Numa prova de concurso cada caractere divergente desconta 0,05 numa escala de dez, por isso vinte erros custam um ponto inteiro, e a velocidade implícita da prova é baixa o suficiente para quase toda a gente a ter já.
Um teclado mecânico ajuda?
+É mais confortável e reduz o cansaço em sessões longas, o que pode ajudar indirectamente, mas não o torna mais rápido por si só. Convém treinar no tipo de teclado que vai ter à frente no dia da prova.
Como saio de um patamar?
+Deixe de medir a velocidade durante uns dias e procure onde falha. São quase sempre umas poucas transições entre teclas e uma mão mais lenta do que a outra. Treine listas de palavras com essas transições, sem cronómetro.
Que velocidade preciso para passar num concurso?
+Nenhuma, no sentido estrito: a prova não fixa velocidade. O que precisa é de acabar 1.800 caracteres em onze minutos, cerca de 33 palavras por minuto, com o mínimo possível de caracteres divergentes.
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