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Digitação ao toque e a linha de descanso do teclado ABNT2

A linha a s d f g h j k l ç, que dedo vai a cada tecla, e porque a cedilha ter tecla própria muda o treino em português.

By the Typetera team · Updated

O que é digitar ao toque

Digitar ao toque é escrever sem olhar para o teclado, com cada dedo responsável por um grupo fixo de teclas. Não é uma questão de velocidade mas de onde está a informação: quando digita ao toque, a posição das teclas vive na memória motora das mãos e não na vista. A diferença nota-se sobretudo a copiar um texto, que é exactamente o que uma prova de transcrição pede. Quem olha para o teclado reparte a vista por três sítios: o original, o ecrã e as teclas. Quem digita ao toque só olha para um.

A linha de descanso, tecla a tecla

Num teclado ABNT2 a linha central é a s d f g h j k l ç, e à direita ficam o til e o fecha-parênteses recto. Os dedos descansam ali entre toques e voltam sempre a essa posição. Mão esquerda: mindinho no A, anelar no S, médio no D, indicador no F. Mão direita: indicador no J, médio no K, anelar no L, mindinho no Ç. Os polegares ficam sobre a barra de espaços, e basta um deles. O F e o J têm um pequeno relevo. Esse relevo é todo o sistema: permite recolocar as duas mãos, e com elas as oito posições, sem tirar os olhos do papel. Habitue-se a procurá-lo com os indicadores sempre que volta ao teclado.

A cedilha tem tecla própria, e isso muda tudo

Aqui está a diferença que quase nenhum curso refere, porque quase todos são traduzidos do inglês. Num teclado americano o mindinho direito descansa sobre um ponto e vírgula, sinal que aparece pouco. Num ABNT2 descansa sobre o ç, uma letra que sai em ação, coração, começar, você, faço e em centenas de palavras mais. É uma vantagem invulgar: em espanhol e em francês a letra equivalente ou os acentos caem sobre o dedo mais fraco e custam caro, e aqui a cedilha custa um único toque como qualquer letra. O que não custa barato são os acentos, que passam por tecla morta à direita do P e do Ç. A consequência prática é que o treino português tem de separar as duas coisas: a cedilha treina-se como uma letra normal da linha de descanso, e os acentos treinam-se como um gesto de dois tempos.

Porque funciona

Três razões, e nenhuma tem a ver com disciplina. A primeira é o encurtamento do percurso: a partir da linha de descanso, nenhuma letra fica a mais de uma linha de distância, por isso as mãos quase não se deslocam. A segunda é a repartição do trabalho. Com dez dedos, cada um carrega menos vezes e pode preparar-se enquanto outro escreve, o que produz a sobreposição característica de quem digita depressa. Com dois dedos, cada toque espera pelo anterior. A terceira é a que mais conta numa prova: ao não olhar para as teclas, os olhos vão à frente no texto original e as mãos executam o que já foi lido. Essa antecipação é o que transforma uma sequência de toques num ritmo.

Se já digita depressa sem o método

Muita gente chega às 50 ou 60 palavras por minuto com quatro ou seis dedos e uma técnica própria. Se é o seu caso, a pergunta não é se o seu método é ortodoxo mas se olha para o teclado e se a precisão sofre com isso. Reaprender custa mesmo alguma coisa: duas ou três semanas a digitar pior do que antes. Compensa se olha para as teclas, se a precisão se afunda assim que acelera, ou se se apresenta a uma prova onde cada caractere divergente desconta. Não compensa se já digita sem olhar, com boa precisão e sem dores, ainda que com sete dedos.

Como reaprender

Comece só pela linha de descanso, com as mãos tapadas. Digite sequências simples até saírem sem pensar, e inclua o ç desde o primeiro dia em vez de o tratar como um extra. Depois suba à linha de cima e desça à de baixo, um grupo de teclas de cada vez, sem avançar enquanto o grupo anterior ainda pedir um olhar. A prática adaptativa faz precisamente isso: abre teclas novas quando as anteriores saem com precisão e sem hesitação. Aceite ficar lento durante esse período. A velocidade volta sozinha assim que a posição estiver automatizada, e volta mais alta do que era.

Erros de técnica que se repetem

Olhar para o teclado só para as teclas difíceis, que em português costumam ser os acentos e o til. É a forma mais comum de nunca terminar a aprendizagem, porque são justamente essas que é preciso automatizar. Apoiar os pulsos enquanto se digita. O apoio é para as pausas: a digitar, as mãos flutuam e o movimento sai do dedo, não do pulso. Fazer as maiúsculas com o mindinho do mesmo lado da letra. A maiúscula faz-se com a tecla do lado contrário, e fazê-lo ao contrário obriga a mão a abandonar a linha. E bater com força, que não acelera nada, cansa as mãos e nem sequer melhora o contacto num teclado de membrana.

Quando faz sentido quebrar a atribuição

A atribuição de dedos é um guia muito bom, não uma lei. Quase toda a gente que digita depressa a quebra nalgum ponto: alcançar uma tecla com o dedo do lado quando a sequência o favorece é comum e não é defeito. A regra útil é que pode quebrar a atribuição quando o resultado é constante e não o obriga a olhar. Se resolve a mesma sequência com um dedo diferente de cada vez, não encontrou um atalho: deixou de ter método, e isso paga-se em erros.

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FAQ

Frequently asked questions

  • Quais são as teclas da linha de descanso no ABNT2?

    +

    A, S, D e F para a mão esquerda e J, K, L e Ç para a direita, com os polegares na barra de espaços. A diferença para um teclado americano é a última: onde o inglês põe um ponto e vírgula, o ABNT2 põe o ç, uma letra de uso corrente.

  • É preciso digitar ao toque para ir depressa?

    +

    Não é indispensável e há quem passe as 60 palavras por minuto com método próprio. É porém o que sustenta a precisão quando acelera, e numa prova que desconta por caractere divergente a precisão é o que dá a nota.

  • Quanto tempo leva a aprender a linha de descanso?

    +

    A posição memoriza-se em poucos dias. O que leva entre duas e quatro semanas é deixar de olhar e recuperar a velocidade que tinha antes. A partir daí a melhoria vem das teclas concretas que ainda falha.

  • Onde ficam os acentos no ABNT2?

    +

    Não ficam na linha de descanso. O agudo fica à direita do P e o til à direita do ç, ambos como teclas mortas: carrega-se, nada aparece, e a vogal seguinte sai acentuada. A cedilha é a excepção, com tecla própria.

  • É melhor aprender num portátil ou num teclado completo?

    +

    Tanto faz para a linha de descanso, já que as letras estão no mesmo sítio. Convém treinar no tipo de teclado que vai usar no dia que conta, porque o curso das teclas muda o ritmo nos primeiros dias.

  • O teclado português de Portugal é igual ao ABNT2?

    +

    Não. São duas disposições diferentes e o ç fica noutro sítio, além de o til e o agudo se repartirem de outra maneira. O modo de aprendizagem aqui usa o ABNT2, lido dos dados CLDR da Unicode.

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