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PREPARAÇÃO PARA EXAME

A prova de digitação nos concursos: uma nota de zero a dez, não uma velocidade

Quase tudo o que se escreve sobre preparar esta prova aponta para o alvo errado. O formato publicado pela FGV é um texto impresso de cerca de 1.800 caracteres, digitado em onze minutos, avaliado numa escala de zero a dez, com 0,05 de ponto descontado por cada caractere divergente, entendido como um caractere a mais, a menos ou diferente. A velocidade não é pontuada. Os onze minutos implicam um ritmo de cerca de 33 palavras por minuto, que a maioria de quem já digita no trabalho tem. A prova decide-se quase toda na precisão: quem digita 60 palavras por minuto com 97 por cento de acerto tira menos do que quem digita 35 com 99,5 por cento, e nenhuma velocidade extra fecha essa diferença.

Requisitos

Português
33 palavras por minuto implícitas em 1.800 caracteres em 11 minutos, embora a prova não fixe velocidade alguma
Duração
11 min

Num relance

Tamanho do texto
Cerca de 1.800 caracteres, impressos e entregues ao candidato
Tempo
11 minutos; 17 para quem tem direito a tempo adicional
Correção
De 0 a 10 pontos, descontando 0,05 por caractere divergente
Caractere divergente
Um a mais, um a menos ou um diferente do original
Velocidade implícita
Cerca de 33 palavras por minuto, que é o ritmo para acabar e não um mínimo
Ambiente
Microsoft Office em Windows, como consta das regras publicadas
Nota mínima
Fixada por cada edital e não por este documento. Confirme no seu edital

Dados verificados em Setembro de 2026. Os formatos mudam entre editais: confirme no seu próprio edital.

O que a prova é, exatamente

Um texto impresso de cerca de 1.800 caracteres, digitado num computador com o Microsoft Office em onze minutos. Quem tem direito a tempo adicional recebe dezassete. É toda a prova: não há ditado, não há segundo texto e não há tarefa de software colada a ela. A correção é de zero a dez. Cada caractere divergente desconta 0,05 de ponto, e as regras definem divergente sem rodeios: um caractere a mais, a menos ou diferente. Mais nada é medido. A velocidade não pontua, a apresentação não pontua e acabar cedo não vale nada. Essa definição é mais dura do que parece. Um acento em falta é um caractere diferente. Um espaço duplicado é um caractere a mais. Uma linha que fica por acabar deixa em falta todos os caracteres seguintes, e é por isso que um texto incompleto é o pior que pode acontecer neste formato.

A conta, que é a prova inteira

Dez pontos, a 0,05 por caractere, dão duzentos caracteres divergentes para chegar a zero. Num texto de 1.800 caracteres isso é pouco mais de onze por cento de erro. Vale mais a pena fazer a conta ao contrário. Vinte caracteres divergentes custam um ponto inteiro. Quarenta custam dois. Para segurar nove em dez pode errar vinte vezes em 1.800 caracteres, o que é uma precisão de cerca de 98,9 por cento. Compare agora com a velocidade que o formato exige. Digitar 1.800 caracteres em onze minutos são cerca de 164 caracteres por minuto, ou aproximadamente 33 palavras por minuto, um ritmo que quase toda a gente que digita no trabalho já tem. A prova não pergunta se é rápido. Pergunta se consegue ser quase perfeito durante onze minutos, e é invulgar entre as provas de digitação por dizê-lo de forma tão aberta.

Porque o conselho habitual é o conselho errado aqui

Quase todos os sites de digitação, este incluído até ler esta página, estão feitos para subir um número de velocidade. Para esta prova esse treino é quase inútil e pode até prejudicar, porque a forma como a maioria sobe esse número é tolerando mais erros. Quem digita 60 palavras por minuto com 97 por cento de acerto acaba o texto em cerca de seis minutos com uns 54 caracteres divergentes, e tira 7,3. Quem digita 35 palavras por minuto com 99,5 por cento acaba em dez minutos e meio com 9 divergentes, e tira 9,55. O mais lento ganha com folga, e não há no formato nenhum mecanismo pelo qual o mais rápido possa recuperar. A única velocidade que conta é a necessária para acabar dentro dos onze minutos, e a margem não é grande: a 33 palavras por minuto acaba exatamente em cima da hora. Trabalhe para acabar com um ou dois minutos de sobra e gaste todo o resto em acertar.

O que muda de edital para edital, e o que não muda

O formato acima é o da FGV e repete-se nos concursos que ela organiza. Outras bancas fazem a prova prática de outra maneira, e mesmo dentro da FGV um edital pode mudar o tamanho do texto, o tempo ou a nota mínima. A nota mínima, em particular, não é fixada pelo documento de regras: é fixada pelo edital de cada concurso, e é justamente o número de que o candidato mais precisa e que os sites de preparação menos costumam dar. O que se tem mantido é a forma: texto fixo, relógio fixo, nota de zero a dez e desconto por caractere divergente. Preparando-se para essa forma está preparado para quase tudo o que vai encontrar, mas leia o seu próprio edital para os números em vez de confiar em qualquer página, incluindo esta.

Dicas que ajudam

  • Treine precisão a ritmo fixo, não velocidade

    Escolha um ritmo que termine 1.800 caracteres em cerca de nove minutos e mantenha-o exatamente. A competência que esta prova premeia é conseguir digitar a um ritmo constante sem acelerar quando a frase é fácil, porque é nessa aceleração que nascem os erros.

  • Acabe o texto, sempre, em todos os treinos

    Um texto por acabar é catastrófico aqui: cada caractere que não digitou é um caractere a menos, e duzentos deles são um zero. Digite até ao fim mesmo sabendo que errou, e nunca recomece um parágrafo.

  • Treine a partir de papel, não do ecrã

    O texto é impresso. Ler em papel e digitar sem olhar nem para o papel nem para o teclado é uma competência diferente de copiar texto no mesmo ecrã, e vale a pena ensaiar com uma impressão ao lado do teclado, à altura a que vai estar no dia.

  • Ensaie os acentos a frio

    Cada acento em falta ou trocado é um caractere divergente que vale 0,05. O português leva agudo, circunflexo, til, grave e cedilha, e no teclado ABNT2 a cedilha tem tecla própria. Treine as palavras em que hesita até deixar de hesitar.

  • Decida antes se vai corrigir

    Como a nota sai do texto entregue e não das teclas que carregou, corrigir custa apenas tempo. Com o relógio folgado que este formato dá, corrigir compensa quase sempre. Decida isto antes para não estar a pesar prós e contras a meio do texto.

  • Leia o seu edital para saber a nota mínima

    O documento de regras fixa o formato mas não a nota necessária para passar, que cada edital oficial fixa por si. Os sites de preparação citam números para isto que não conseguem fundamentar. Descubra o seu antes de planear seja o que for.

O que custa pontos

  • Treinar velocidade porque é o que todos os sites fazem

    Subir um número de velocidade costuma significar aceitar mais erros, e num formato em que os erros são a única coisa medida isso é uma maneira direta de tirar pior nota. A velocidade só conta até ao ponto em que acaba dentro do tempo.

  • Tratar o acento como opcional

    Uma palavra digitada sem acento não está quase certa: é um caractere divergente, e 1.800 caracteres de prosa portuguesa levam muitos. É de longe a maior perda evitável da maioria dos candidatos.

  • Deixar o texto por acabar

    Quem percebe que está atrasado às vezes para e vai conferir o que já escreveu. Cada caractere não digitado é um desconto, por isso parar mais cedo custa muito mais do que os erros que o preocupavam.

  • Espaços a dobrar e formatação a mais

    Um segundo espaço entre palavras é um caractere a mais. Um espaço no fim da linha também. A correção automática e a formatação automática podem introduzir caracteres que nunca digitou, e vale a pena verificar isso antes de o relógio começar.

  • Presumir que a nota mínima é alta

    Alguns editais aprovam com notas que parecem baixas, e outros não põem a fasquia onde os sites de preparação dizem. Adivinhar em qualquer das direções muda a forma como se deve preparar, por isso leia o edital oficial em vez de um fórum.

Plano de quatro semanas

  1. Semana 1

    Encontrar um ritmo constante

    Esqueça a velocidade por completo. Digite textos de 1.800 caracteres sem relógio e procure zero erros, demore o que demorar. Anote os caracteres que erra; na maioria dos candidatos portugueses e brasileiros a lista é dominada por acentos.

  2. Semana 2

    Treinar só o que lhe custa

    Pegue na lista de erros da primeira semana e treine apenas isso: as vogais acentuadas, a cedilha, o til. Sessões curtas diárias de poucos minutos valem mais do que uma longa, porque isto é memória motora.

  3. Semana 3

    Entrar o relógio, com folga

    Agora cronometre, mas com o alvo em treze ou catorze minutos em vez de onze. A ideia é aprender um ritmo constante sob relógio sem a pressão que produz erros.

  4. Semana 4

    Ensaios completos a onze minutos

    Imprima o texto, sente-se a um teclado parecido com o que vai usar e faça a prova inteira de ponta a ponta. Corrija-se com honestidade a 0,05 por caractere divergente e veja qual é a nota de facto.

  5. Semana 5

    Corrigir o que os ensaios mostraram

    A esta altura os erros já são poucos e específicos. Trabalhe só neles e mantenha dois ensaios completos por semana, para que os onze minutos continuem familiares em vez de se tornarem um acontecimento.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a prova de digitação de um concurso?
No formato publicado pela FGV o texto tem cerca de 1.800 caracteres e o tempo é de onze minutos, com dezassete minutos para quem tem direito a tempo adicional. Outras bancas usam outros formatos, por isso o edital oficial do seu concurso é o número em que deve confiar.
Como é corrigida a prova de digitação?
Numa escala de zero a dez, descontando 0,05 de ponto por cada caractere divergente. Caractere divergente é um a mais, um a menos ou um diferente do texto fornecido. A velocidade em si não é pontuada, para além da necessidade de acabar dentro do tempo.
Quantos erros posso cometer e continuar aprovado?
Depende da nota mínima que o seu edital fixar, que o documento de regras não fixa. Vinte caracteres divergentes custam um ponto, por isso uma nota de nove admite vinte e uma de oito admite quarenta. Duzentos caracteres divergentes levam a nota a zero.
Que velocidade de digitação preciso para um concurso?
Cerca de 33 palavras por minuto, que é simplesmente o ritmo a que 1.800 caracteres levam onze minutos. Não é um mínimo fixado pela prova, e digitar mais depressa não dá pontos. O que o formato premeia é acabar com um ou dois minutos de sobra e estar quase perfeito.
Um acento em falta conta como erro?
Conta. Uma vogal digitada sem acento é um caractere diferente do que estava no texto, por isso desconta 0,05 como qualquer outra divergência. Em prosa portuguesa é normalmente daqui que vem a maior parte dos pontos perdidos.
Posso corrigir os erros durante a prova?
A nota sai do texto entregue e não das teclas que carregou, por isso corrigir um erro elimina o desconto e custa apenas os segundos da correção. Com onze minutos para um texto que precisa de cerca de nove, corrigir compensa quase sempre.
A prova de digitação é igual em todos os concursos?
Não. O formato aqui descrito é o que a FGV publica e reutiliza, mas outras bancas fazem a prova prática de outra maneira e mesmo os editais da FGV variam. Leia o edital do concurso a que se apresenta em vez de presumir que algum formato publicado se aplica a ele.

PREPARAÇÃO PARA EXAME

Perguntas frequentes sobre este exame

Respostas diretas ao que os candidatos mais perguntam.