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Palavras por minuto: o que o número mede e o que ignora
O que contam as palavras por minuto, porque cinco caracteres fazem uma palavra, e o que a medida não diz sobre digitar em português.
By the Typetera team · Updated
A resposta curta
As palavras por minuto medem velocidade de digitação contando cinco caracteres digitados como uma palavra, espaços e pontuação incluídos. Não são palavras do dicionário, e isso é de propósito: a convenção torna comparáveis dois textos de vocabulário diferente. A consequência imediata é que o mesmo teclado, digitado à mesma velocidade, dá um número mais alto num texto de palavras curtas do que num texto administrativo. O número descreve uma velocidade, não uma competência.
A fórmula, e o passo que toda a gente salta
Pegue nos caracteres certos, divida por cinco, divida pelos minutos. Para toques por minuto, salte a divisão por cinco. O passo que se salta é o anterior: decidir o que conta como certo. Um número bruto conta tudo o que foi produzido, um número líquido só o que coincide com o original. A maioria dos sites mostra o líquido sem o dizer, de modo que dois resultados de dois sites não se comparam necessariamente. Aqui o número mostrado é líquido, e a precisão aparece ao lado para que a diferença fique visível.
O que a medida ignora em português
Ignora o custo das teclas mortas. Um acento pede dois toques para produzir um caractere: carrega-se na tecla do acento, nada aparece, e a vogal seguinte sai acentuada. O til segue a mesma mecânica. A cedilha é a excepção interessante: no teclado ABNT2 tem tecla própria, à direita do L, onde um teclado americano põe o ponto e vírgula. Custa um toque como qualquer letra, o que faz do português um caso invulgar em que um caractere acentuado é barato e os outros não. Num texto português corrente isto representa trabalho real que a contagem em palavras não vê. É a razão pela qual a mesma pessoa tira um número mais baixo em português do que em inglês sem ter abrandado. Não é o comprimento das palavras: medido nos corpus desta página, é praticamente igual nas duas línguas.
O que é um bom número
A referência citável vem de um estudo e não do tráfego de um site: 51,6 palavras por minuto de média em 168.960 pessoas, com desvio-padrão de 20,2. Todos os participantes se apresentaram voluntários a uma prova, portanto o número descreve quem digita por vontade própria. Com essa média e essa dispersão, 60 palavras por minuto ficam perto do percentil 66 e 80 perto do 92. As faixas completas e as ressalvas estão em velocidade média de digitação. A pergunta útil continua a ser outra: não se o seu número passa uma média, mas se passa a exigência que tem à frente. Numa prova de concurso essa exigência não é sequer uma velocidade.
A precisão pesa tanto como a velocidade
Um erro não custa apenas o seu caractere. Custa detectá-lo, apagá-lo e reescrevê-lo, cerca de cinco toques quando é visto logo. Visto cinco palavras depois, custa tudo o que foi escrito desde então. Numa prova de digitação de concurso a conta é diferente e mais severa: a nota vai de zero a dez e desconta 0,05 por cada caractere divergente. Vinte divergências custam um ponto inteiro, duzentas levam a nota a zero. Em qualquer dos casos o ritmo certo é o mais alto em que quase não erra, nunca o mais alto que consegue atingir.
Porque o seu número muda de site para site
Três razões, e nenhuma é defeito da sua digitação. A duração primeiro: trinta segundos premeiam um arranque que cinco minutos não perdoam. O texto depois: maiúsculas, algarismos e pontuação atrasam toda a gente. O modo de cálculo por fim, bruto ou líquido, que sozinho cria vários pontos de diferença entre dois sites que mostram o mesmo desempenho. A conclusão prática cabe numa frase: compare-se consigo próprio, na mesma duração e no mesmo tipo de texto, e fique com o valor do meio de três ou quatro tentativas em vez do melhor.
Como se medir de forma útil
Escolha a duração que corresponde ao que lhe interessa. Um minuto para uma referência comparável com a bibliografia, cinco minutos para a sua velocidade de trabalho real, dez se treina para uma prova de transcrição. Olhe para a precisão antes da velocidade. Se descer abaixo dos 97 por cento, é aí que está o ganho, e é mais rápido de obter do que uma subida de velocidade. Depois olhe para o detalhe por tecla. Em português os culpados são quase sempre os mesmos: as vogais acentuadas e o til. Uns minutos por dia nessas teclas valem mais do que uma hora de prova geral.
Porque cinco caracteres fazem uma palavra
Porque era preciso uma unidade estável e o comprimento médio de uma palavra varia de língua para língua e de texto para texto. Fixar uma palavra em cinco caracteres permite comparar um texto jurídico e uma mensagem informal sem favorecer o segundo. A convenção vem dos testes de velocidade das máquinas de escrever do início do século vinte e nunca foi substituída. Tem um defeito conhecido: prejudica as línguas de palavras compridas, o que inclui o português frente ao inglês. É o preço de uma unidade universal.
Bruto, líquido, e o que as provas usam
O bruto mede o movimento das mãos, o líquido mede o trabalho aproveitável. A distância entre os dois é exactamente a sua taxa de erro. As provas usam o líquido, porque um caractere errado não vale nada para ninguém. O que muda de prova para prova é a forma de o calcular, e as diferenças são grandes: descontar um caractere por erro não é o mesmo que descontar 0,05 de ponto por caractere divergente numa escala de dez. Antes de comparar o seu número com uma exigência, confirme que os dois são da mesma espécie. É a verificação mais barata e a mais esquecida.
FAQ
Frequently asked questions
O que querem dizer as palavras por minuto?
+Medem velocidade de digitação contando cinco caracteres digitados como uma palavra, espaços e pontuação incluídos. Não são portanto palavras reais, mas uma unidade fixa que torna comparáveis textos de vocabulário muito diferente.
Como converter palavras em toques por minuto?
+Multiplicando por cinco, e dividindo por cinco no sentido inverso. 40 palavras por minuto são 200 toques e 60 são 300. Os dois números descrevem exactamente a mesma velocidade em unidades diferentes.
Um acento conta como um toque ou dois?
+Como dois, porque passa por uma tecla morta: um toque para o acento e outro para a vogal. A cedilha é a excepção, já que no teclado ABNT2 tem tecla própria e custa um único toque.
Que velocidade preciso para um concurso?
+Cerca de 33 palavras por minuto, que é apenas o ritmo a que 1.800 caracteres cabem em onze minutos. A prova não fixa velocidade mínima nenhuma: desconta 0,05 por cada caractere divergente numa escala até dez.
Porque o meu resultado desce quando a prova é mais longa?
+Porque uma duração longa faz aparecer o cansaço e a quebra de atenção que uma prova curta não tem tempo de mostrar. A descida é normal; se for grande, é a resistência que precisa de treino.
Devo procurar velocidade ou precisão?
+Precisão primeiro, porque um erro custa mais do que um segundo de lentidão: é preciso detectá-lo, apagá-lo e reescrevê-lo. O ritmo certo é o mais alto em que quase nunca erra.
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